O Sabor das Raízes: Como Preparar Receitas Tradicionais do Interior Brasileiro

A culinária do interior brasileiro é um verdadeiro tesouro cultural, repleta de sabores marcantes e receitas que atravessam gerações. Cada prato carrega consigo uma história única, uma mistura de influências regionais, e, acima de tudo, o carinho e a dedicação das pessoas que o preparam. O interior do Brasil, com sua diversidade geográfica e cultural, oferece uma variedade de ingredientes e técnicas culinárias que são passadas de avós para netos, preservando o sabor autêntico da nossa terra.

A comida, especialmente no interior, tem uma relação íntima com a cultura local. Em cada região do Brasil, as receitas tradicionais são moldadas pelos ingredientes disponíveis, pelas condições climáticas e pelas influências históricas, como a herança indígena, africana e portuguesa. Essas receitas não são apenas formas de nutrição, mas uma verdadeira conexão com a identidade de um povo, revelando seus costumes, crenças e o modo de vida de tempos passados.

O propósito deste artigo é apresentar algumas dessas receitas tradicionais do interior brasileiro, ensinando passo a passo como prepará-las em casa. Ao fazer isso, buscamos não só preservar esses sabores deliciosos e autênticos, mas também resgatar um pedaço importante da nossa história e da nossa cultura. Prepare-se para uma viagem de sabor e memória, onde cada prato é uma oportunidade de se conectar com as raízes do Brasil.

O Encanto da Culinária do Interior Brasileiro

A culinária do interior brasileiro é uma verdadeira celebração dos sabores autênticos, com pratos que refletem as tradições, os costumes e a conexão profunda das pessoas com a terra. O que torna essa culinária única e saborosa é a simplicidade dos ingredientes, que são cuidadosamente selecionados conforme as estações do ano e as características de cada região. No interior, as receitas são preparadas com o que a natureza oferece, desde hortas familiares até pequenos produtores locais que cultivam ingredientes frescos e cheios de sabor.

A influência dos ingredientes naturais é um dos pilares da gastronomia do interior. Milho, mandioca, feijão, frutas tropicais e carnes como a carne de sol e o frango caipira são apenas alguns exemplos de produtos que dominam as mesas de todo o Brasil rural. Esses ingredientes não só são saborosos, mas carregam um simbolismo profundo, pois fazem parte da vida cotidiana das pessoas, muitas vezes cultivados com as próprias mãos nas roças e sítios. Além disso, o uso de ervas e temperos frescos, como o coentro e a cebolinha, garante que cada prato tenha um sabor único e incomparável.

Outro aspecto fundamental da culinária do interior é o conceito de “comfort food”, ou comida de raiz. Esses pratos, que podem ser simples, mas recheados de afeto e sabor, têm um poder emocional profundo. Para muitas comunidades, a comida do interior não é apenas sobre se alimentar, mas sobre celebrar a convivência, a história e a identidade local. Quando alguém se senta à mesa com um prato típico, está, de certa forma, fazendo uma viagem no tempo, resgatando memórias de infância, de festas em família e de tempos em que a comida era um elo forte entre as pessoas e suas raízes.

A comida de raiz tem o poder de acolher, aquecer e transmitir um sentimento de pertencimento. Nas pequenas cidades e vilarejos, onde as relações são mais próximas e as histórias familiares são passadas oralmente, um simples prato feito com carinho pode transmitir sentimentos de pertencimento e nostalgia. Esses sabores, que chegam diretamente do coração do Brasil, carregam a cultura de cada região e são capazes de conectar pessoas de diferentes gerações, mantendo vivas as tradições de um Brasil que valoriza suas origens.

Ingredientes Comuns nas Receitas Tradicionais do Interior

A beleza da culinária do interior brasileiro está na sua autenticidade e no uso de ingredientes frescos, naturais e, muitas vezes, produzidos localmente. Esses ingredientes não só são essenciais para a construção dos sabores característicos das receitas tradicionais, mas também carregam o sabor do campo, da terra e do clima de cada região. Vamos conhecer alguns dos ingredientes mais comuns que fazem parte dessa culinária rica e saborosa.

O milho é um dos protagonistas da cozinha do interior, utilizado em diversas formas, como na famosa polenta, nas broas e no curau. Ele é cultivado em grande parte das regiões brasileiras, especialmente no Centro-Oeste e no Nordeste, e seu sabor doce e delicado aparece em muitos pratos típicos. Além disso, o milho tem grande importância histórica, sendo um dos principais alimentos consumidos pelos povos indígenas e, mais tarde, pelos colonizadores.

A mandioca, ou aipim, é outro ingrediente essencial da culinária rural. Presente na mesa de praticamente todas as regiões do Brasil, a mandioca é consumida de diversas formas, seja cozida, frita ou transformada em farinha. Essa raiz versátil é a base de pratos como a farofa, o tapioca e o beiju. Nos interiores do Brasil, ela é cultivada com muito carinho, principalmente no Norte e no Nordeste, e está no centro de muitas tradições alimentícias.

O feijão é, sem dúvida, um dos ingredientes mais icônicos da culinária brasileira, especialmente o feijão verde e o feijão tropeiro. Esse grão, utilizado em várias receitas regionais, é cultivado em grande parte do país, sendo uma das principais fontes de proteína para as famílias do interior. No Nordeste, o feijão verde aparece em pratos como o feijão macassa; no Centro-Oeste, ele ganha forma no saboroso feijão tropeiro, misturado com arroz, carne de sol e outros ingredientes típicos.

As carnes secas, como a carne de sol e o charque, são amplamente usadas nas receitas tradicionais, principalmente no Nordeste e no Centro-Oeste. Essas carnes, que eram secadas ao sol para conservação, trazem um sabor defumado que combina perfeitamente com pratos como o feijão tropeiro, o arroz com carne de sol e a canjiquinha com carne seca. As carnes secas também são uma herança da prática de conservação de alimentos das comunidades rurais.

Por fim, as frutas tropicais como coco, banana, manga, goiaba e cajá são essenciais para o preparo de sobremesas e pratos típicos do interior. Essas frutas são cultivadas em pomares familiares e mercados locais, trazendo uma doçura natural que transforma qualquer receita em uma verdadeira explosão de sabor.

A utilização desses ingredientes locais e sazonais é uma das chaves para garantir a autenticidade e o sabor genuíno das receitas tradicionais. Ao consumir produtos que são cultivados nas proximidades, os cozinheiros preservam não apenas a qualidade dos pratos, mas também contribuem para o fortalecimento da economia local. Além disso, os ingredientes sazonais garantem que os sabores sejam sempre frescos e cheios de vida, respeitando o ciclo da natureza e aproveitando o que ela tem a oferecer de melhor em cada estação.

Optar por ingredientes locais e sazonais também é uma forma de manter a conexão com as raízes culturais do Brasil. Ao preparar uma receita com produtos que carregam a história de uma região, você não está apenas cozinhando, mas vivenciando um pedaço da tradição de um povo. Assim, cada prato que sai da cozinha se torna uma homenagem ao interior brasileiro, à sua terra e à sua gente.

Receitas Tradicionais do Interior: Passo a Passo

Agora que já exploramos os ingredientes e a rica cultura gastronômica do interior brasileiro, chegou o momento de aprender a preparar algumas das receitas mais emblemáticas dessa culinária. Vamos ensinar o passo a passo de pratos tradicionais que são verdadeiros ícones da cozinha rural, com dicas para deixá-los ainda mais autênticos e deliciosos. Confira a seguir como preparar o Feijão Tropeiro, o Bolo de Rolo, a Canjiquinha com Carne Seca e a Galinha Caipira com Arroz.

Feijão Tropeiro

História e origem do prato

O feijão tropeiro tem suas raízes no interior do Brasil, mais especificamente nas Minas Gerais e no interior de São Paulo. Ele nasceu como uma comida prática e nutritiva para os tropeiros — homens que transportavam mercadorias por longas distâncias durante o ciclo do ouro. O prato era fácil de preparar, com ingredientes que se conservavam bem e forneciam a energia necessária para as viagens.

Ingredientes e modo de preparo

2 xícaras de feijão carioquinha ou feijão preto

2 colheres de sopa de óleo

1 cebola grande picada

2 dentes de alho amassados

150g de linguiça calabresa picada

150g de carne de sol desfiada (ou charque)

1 xícara de arroz cozido

1/2 xícara de bacon picado

1/2 xícara de farinha de mandioca

Cheiro verde a gosto

Sal e pimenta a gosto

Modo de preparo:

Cozinhe o feijão até que ele fique macio, mas ainda firme.

Em uma panela grande, frite o bacon até ficar crocante e reserve.

Na mesma panela, adicione o óleo e refogue a cebola e o alho até dourar.

Acrescente a linguiça calabresa e a carne de sol desfiada, refogando bem até dourar.

Junte o feijão cozido, o arroz e o bacon. Misture bem.

Aos poucos, adicione a farinha de mandioca até atingir a consistência desejada.

Finalize com o cheiro verde e ajuste o sal e a pimenta a gosto.

Dicas para fazer a receita autêntica e como personalizá-la

Para um sabor ainda mais marcante, use carne de sol ao invés de carne fresca.

Experimente adicionar ovo cozido picado para uma versão mais rica.

A farinha de mandioca deve ser adicionada aos poucos, até que o feijão tropeiro atinja a textura que você mais gosta, seja mais úmido ou mais seco.

Bolo de Rolo

Origem do famoso doce nordestino

O Bolo de Rolo é um dos doces mais tradicionais do Nordeste, especialmente de Pernambuco. Com uma aparência simples, mas de sabor inconfundível, ele é um tipo de rocambole recheado com goiabada. Sua origem remonta ao período colonial, quando a goiaba foi introduzida no Brasil pelos portugueses, e rapidamente se tornou uma fruta muito apreciada em doces típicos.

Receita simples e saborosa

6 ovos

2 xícaras de açúcar

2 xícaras de farinha de trigo

1 colher de sopa de manteiga derretida

1 colher de chá de essência de baunilha

400g de goiabada (preferencialmente goiabada cascão)

2 colheres de sopa de água

Modo de preparo:

Preaqueça o forno a 180°C e unte uma forma retangular com manteiga e farinha.

Bata os ovos com o açúcar até formar uma mistura fofa e clara.

Adicione a farinha de trigo e a manteiga derretida, misturando bem até obter uma massa homogênea.

Despeje a massa na forma untada, espalhando bem.

Asse por 15 a 20 minutos ou até que o bolo esteja dourado e firme.

Retire o bolo do forno e deixe esfriar por alguns minutos.

Enquanto isso, derreta a goiabada com a água em uma panela, formando um creme.

Coloque o bolo já frio sobre um pano de prato limpo, espalhe a goiabada e enrole o bolo cuidadosamente.

Corte em fatias finas e sirva!

Sugestões para variações do bolo

Experimente substituir a goiabada por doce de leite ou cajá para uma versão diferente.

O bolo de rolo também pode ser servido com creme de leite fresco ou chantilly para um toque ainda mais sofisticado.

Canjiquinha com Carne Seca

O prato típico do sertão brasileiro

A canjiquinha com carne seca é um prato clássico da culinária do sertão, especialmente nas regiões do Nordeste e Centro-Oeste. A canjiquinha, feita com o milho quebrado, é um prato simples, nutritivo e reconfortante, geralmente preparado nas grandes refeições familiares e em festas típicas.

Passo a passo da receita

500g de canjiquinha (milho quebrado)

300g de carne seca desfiada

1 cebola picada

2 dentes de alho amassados

2 tomates picados

1 pimentão verde picado

1 colher de sopa de óleo

1 folha de louro

Cheiro verde a gosto

Sal e pimenta a gosto

Modo de preparo:

Deixe a canjiquinha de molho por pelo menos 4 horas ou durante a noite para amolecer.

Cozinhe a canjiquinha em uma panela grande com água até ficar bem macia.

Enquanto isso, em uma panela separada, frite a carne seca desfiada até que ela fique dourada e crocante.

Em outra panela, refogue a cebola, o alho, os tomates e o pimentão até que fiquem bem cozidos e saborosos.

Misture a canjiquinha já cozida ao refogado de carne e vegetais.

Cozinhe por mais alguns minutos para que os sabores se integrem, ajustando o sal e a pimenta.

Finalize com o cheiro verde e sirva quente.

Como variar o prato para agradar todos os paladares

Para um toque ainda mais saboroso, adicione queijo coalho ou bacon crocante por cima.

Se preferir, você pode substituir a carne seca por carne de sol ou frango desfiado.

Galinha Caipira com Arroz

Preparando a galinha caipira, um prato tradicional de muitos interiores do Brasil

A galinha caipira com arroz é um prato que representa muito bem a culinária rural do Brasil, sendo uma opção de refeição reconfortante e cheia de sabor. A galinha caipira, criada solta, tem um sabor inconfundível e garante um caldo rico e saboroso, perfeito para acompanhar o arroz fresquinho.

Como fazer o caldo e o arroz no mesmo processo, mantendo o sabor intenso

1 galinha caipira (cortada em pedaços)

2 xícaras de arroz

1 cebola picada

2 dentes de alho picados

2 tomates picados

1 pimentão verde picado

1 folha de louro

Cheiro verde a gosto

Sal e pimenta a gosto

Modo de preparo:

Em uma panela grande, refogue a cebola, o alho, o tomate e o pimentão até que fiquem dourados.

Acrescente os pedaços de galinha caipira e frite até que fiquem bem dourados.

Adicione água suficiente para cobrir a galinha, coloque a folha de louro, e cozinhe até que a carne esteja bem macia.

Retire os pedaços de galinha e reserve.

No caldo que restou, acrescente o arroz e cozinhe normalmente até que o arroz esteja pronto, absorvendo todo o sabor do caldo.

Enquanto o arroz cozinha, desfie a galinha e misture-a ao arroz quando estiver pronto.

Finalize com o cheiro verde e sirva!

Esse prato combina o sabor profundo da galinha caipira com a simplicidade do arroz, criando uma refeição que é sinônimo de acolhimento e tradição.

Dicas para Manter a Tradição ao Preparar Receitas Antigas

Manter a tradição ao preparar receitas antigas do interior brasileiro é uma forma de preservar a história e a cultura culinária de várias regiões do país. Essas receitas não são apenas sobre ingredientes e temperos, mas também envolvem técnicas e utensílios que, ao longo dos anos, ajudaram a moldar os sabores autênticos que conhecemos hoje. A seguir, compartilhamos algumas dicas para garantir que você mantenha a autenticidade das receitas tradicionais, respeitando os métodos de preparo originais e os utensílios que fazem parte dessa rica tradição.

Como respeitar os métodos de preparo originais

Respeitar os métodos de preparo originais é fundamental para preservar o verdadeiro sabor das receitas do interior. Embora muitas dessas receitas possam ser feitas de maneira prática e rápida nos dias de hoje, é importante lembrar que a lentidão e a paciência no processo de cocção foram ingredientes fundamentais na tradição culinária rural.

Cozinhar com calma:

Pratos como o feijão tropeiro ou a canjiquinha com carne seca exigem um tempo de cozimento adequado para que os sabores se misturem de maneira profunda e intensa. Embora você possa usar pressões ou métodos mais rápidos, o processo de cozimento lento, onde os sabores se incorporam aos poucos, é uma das chaves para obter um sabor autêntico.

Deixe a comida descansar:

Muitas receitas tradicionais pedem que os alimentos “repousem” após o preparo, como arroz ou feijão. Isso permite que os sabores se intensifiquem e que a textura se estabilize, dando mais sabor ao prato final.

Misturar os ingredientes de forma manual:

Em algumas receitas, como a farofa ou a canjiquinha, é importante misturar os ingredientes manualmente, respeitando o ritmo e o toque das mãos que transmitem mais sabor ao prato. Isso também faz parte do ritual de preparo que conecta a comida ao afeto e à história.

A importância de utilizar utensílios de cozinha que fazem parte da tradição

Usar utensílios de cozinha que fazem parte da tradição é uma maneira de garantir que a experiência culinária seja completa e fiel às origens. Certos utensílios não só têm a função de facilitar o preparo, mas também são responsáveis por intensificar o sabor dos pratos, graças à forma como conduzem o calor ou interagem com os ingredientes.

Panela de barro:

A panela de barro é um ícone da cozinha do interior brasileiro. Seu formato e material ajudam a distribuir o calor de maneira uniforme, o que é essencial para pratos de cozimento lento, como o feijão tropeiro e a galinha caipira com arroz. A panela de barro também contribui para a intensificação dos sabores, além de dar um toque rústico e acolhedor ao prato.

Fogão a lenha:

Embora o uso de fogões modernos seja comum, o fogão a lenha é uma verdadeira relíquia da cozinha tradicional. Preparar um prato no fogo de lenha não apenas transforma o sabor, mas também proporciona uma experiência única. A lenha, com seu calor irregular e aroma característico, dá uma textura e um sabor defumado que são difíceis de reproduzir de outra forma. Se possível, tente usar um fogão a lenha para pratos como o feijão tropeiro, a canjiquinha ou o bolo de rolo, pois o calor do fogo contribui para um sabor mais profundo e autêntico.

Centrífuga manual para a farinha de mandioca:

Algumas receitas do interior ainda pedem o uso de utensílios manuais para garantir a textura e consistência perfeitas. A centrífuga manual de farinha de mandioca, por exemplo, é um excelente exemplo de como os utensílios tradicionais podem ser essenciais para obter o resultado ideal em receitas como a farofa.

A preservação dos hábitos culinários em tempos modernos

Em tempos modernos, onde a agilidade e a praticidade dominam a cozinha, preservar os hábitos culinários antigos pode ser um desafio. No entanto, é possível adaptar-se à vida contemporânea sem abrir mão da autenticidade das receitas tradicionais.

Redescobrindo os ingredientes locais:

Muitas vezes, nos dias de hoje, é fácil cair na tentação de comprar ingredientes processados ou pré-preparados. Mas o uso de ingredientes locais e sazonais deve ser uma prioridade. Não só por seu sabor fresco e genuíno, mas também pela preservação da agricultura local. Tente buscar produtos frescos de produtores próximos a você, seja em feiras livres ou mercados de bairros. Isso mantém a conexão com as raízes culinárias e valoriza o trabalho de quem cultiva a terra.

Tecnologia a favor da tradição:

Embora muitos métodos de preparo tradicionais envolvam paciência, não há problema em usar a tecnologia para facilitar alguns processos. Por exemplo, utilizar uma panela de pressão para cozinhar a carne de sol mais rapidamente ou uma batedeira para agilizar a preparação de massas. O segredo está em manter os ingredientes e a técnica central da receita, sem comprometer o sabor ou a essência do prato.

Transmitindo tradições às novas gerações:

Ensinar as gerações mais jovens sobre os hábitos culinários e a importância da comida de raiz é uma maneira fundamental de preservar essas tradições. Convidar os filhos, netos ou amigos para ajudar na preparação de pratos tradicionais, como o bolo de rolo ou o feijão tropeiro, pode ser uma oportunidade de compartilhar não apenas a receita, mas também histórias familiares e culturais que vão além do simples ato de cozinhar.

O Papel da Comida na Cultura Regional

A culinária vai muito além do simples ato de alimentar. Ela é um dos pilares que sustentam as tradições, histórias e identidades de um povo. No interior do Brasil, a comida de raiz tem um papel fundamental na preservação e divulgação da cultura regional, sendo um elo entre o passado e o presente. Ao preparar e compartilhar receitas tradicionais, não estamos apenas criando refeições, mas também mantendo vivas as memórias e os costumes de cada local. Vamos explorar como a comida ajuda a preservar a cultura de uma região e o impacto que ela tem nas comunidades e nas festas tradicionais.

Como a culinária ajuda a preservar e divulgar a cultura de uma região

Cada prato típico carrega consigo uma narrativa histórica, uma história de povos e lugares. A comida de raiz do interior brasileiro é, em sua essência, uma forma de contar a história da região, das suas origens e das influências que a moldaram ao longo do tempo. Por exemplo, a carne de sol do Nordeste é reflexo do modo de vida rural e das técnicas de conservação de alimentos herdadas pelos colonizadores, enquanto o feijão tropeiro, que combina ingredientes como feijão, arroz, carne e farinha de mandioca, revela a vida dos tropeiros que cruzavam o interior do Brasil em direção a Minas Gerais.

Além disso, a culinária regional é uma maneira de divulgar as riquezas de cada região. Quando um prato típico é compartilhado fora de sua terra natal, ele leva consigo um pedaço da cultura local. Restaurantes, feiras e eventos gastronômicos têm sido fundamentais para espalhar essas tradições para outros cantos do Brasil e até do mundo. Isso fortalece o reconhecimento das culturas regionais e fomenta o orgulho local. O bolo de rolo, por exemplo, é uma iguaria pernambucana que conquistou o Brasil e o mundo, promovendo não só o doce, mas também as tradições de Pernambuco.

O impacto da comida caseira no fortalecimento das comunidades e nas festas tradicionais

A comida caseira, especialmente a preparada com ingredientes locais, tem um impacto profundo nas comunidades. Ela vai além de ser apenas um meio de nutrição; ela é um elemento que une as pessoas. Nas comunidades do interior, a culinária tem um papel social crucial, promovendo a convivência e o compartilhamento de histórias e tradições.

Nas festas tradicionais, como as festa juninas, carnavais rurais e outras celebrações regionais, a comida caseira é a protagonista. O arroz com pequi do Centro-Oeste, o pamonha de milho do interior paulista e o caldinho de feijão de Minas Gerais não são apenas pratos saborosos, mas símbolos de união e celebração. Durante essas festas, as receitas tradicionais são passadas de geração em geração, tornando-se um elo entre o passado e o presente.

Além disso, a prática de cozinhar e compartilhar alimentos em eventos comunitários reforça o sentido de pertencimento. Em muitas pequenas cidades e vilarejos, a preparação de pratos típicos para festivais, festas religiosas ou eventos comunitários se torna uma oportunidade para fortalecer os laços entre as pessoas. As cozinhas coletivas, onde várias gerações se juntam para preparar os pratos, são um exemplo perfeito de como a comida serve para fortalecer a união e as relações comunitárias.

A valorização da comida de raiz no cenário gastronômico contemporâneo

Nos últimos anos, a comida de raiz tem ganhado cada vez mais destaque no cenário gastronômico contemporâneo, principalmente com o crescente movimento de valorização da gastronomia local e sustentabilidade alimentar. Chefs renomados e cozinheiros apaixonados estão cada vez mais se voltando para os ingredientes e receitas tradicionais, com o objetivo de trazer de volta sabores autênticos e preservar técnicas de preparo antigas.

A busca por ingredientes frescos, locais e sazonais tem levado a culinária de raiz a um novo patamar, fazendo com que pratos como o feijão tropeiro, a galinha caipira com arroz e o bolo de rolo deixem de ser vistos apenas como comidas de família e se tornem estrelas em menus sofisticados de restaurantes. Isso não apenas contribui para a preservação dessas receitas, mas também dá um novo fôlego à gastronomia de raiz, permitindo que ela seja reconhecida, valorizada e apreciada em novos contextos.

Outro aspecto importante é o movimento slow food, que defende a valorização dos alimentos produzidos localmente e de forma artesanal. Esse movimento tem incentivado as pessoas a se reconectarem com os sabores autênticos e a consumirem de maneira mais consciente, respeitando as tradições culinárias e promovendo a sustentabilidade.

A comida, em suas diversas formas, é uma ferramenta poderosa na preservação da cultura regional. Ela é capaz de conectar pessoas, contar histórias e, ao mesmo tempo, reinventar-se para os tempos modernos. Ao continuar a valorizar e preservar as receitas tradicionais, estamos não só preservando o patrimônio culinário, mas também enriquecendo a nossa cultura de maneira contínua e vibrante. A comida de raiz não é apenas um prato, mas uma expressão da alma de cada região, um pedaço de história que, quando compartilhado, traz à tona os sabores e as memórias de um Brasil diverso e rico em tradições.

Conclusão

As receitas tradicionais do interior brasileiro são mais do que apenas pratos saborosos; elas representam a identidade cultural de um país vasto e cheio de histórias. Cada refeição carrega em si a essência de uma região, com seus ingredientes locais, métodos de preparo e influências que atravessam gerações. Ao manter vivas essas receitas, preservamos não só os sabores autênticos, mas também a memória e a cultura de cada canto do Brasil. De um simples feijão tropeiro a um delicado bolo de rolo, cada prato é uma janela para a história e para as tradições que moldaram o Brasil que conhecemos hoje.

Agora que você conheceu um pouco mais sobre essas delícias, que tal experimentar essas receitas em sua própria cozinha? A culinária do interior é uma verdadeira celebração de sabores, aromas e histórias, e fazer essas receitas em casa é uma forma de se conectar mais profundamente com a cultura brasileira. Não importa onde você esteja, o sabor das raízes está ao alcance de todos.

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